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A vida não teria graça sem essas lentes coloridas. Pobre daquele que é monocromático. Prepare-se para embarcar em ilusões. Com foco ou sem foco, seja bem vindo! Luz, câmera, ação!

Olhos que transbordam


Ela caminhava pela calçada encarando a montoeira de olhares. Olhos azuis, castanhos, puxados, tristes, alegres e apreensivos. Quantos olhos compõem uma rua! Quantos olhares compõem uma cidade! Isso a aterrorizava e encantava, era um paradoxo incrivelmente belo. A menos de um passo a tristeza, a menos de um quarteirão a alegria. Como podia tantos sentimentos, tantas vidas apressadas, caminhando pelas ruas com olhares que transbordam e passos de robôs? Tudo transbordava. Uma moça com lágrimas nos olhos transbordava dor, um rapaz de olhar brilhante transbordava amor. Ela queria acolher em seus braços a dor de alguns olhos e compartilhar o amor de outros. E aqueles inexpressivos? Esses sim davam medo. Ela queria navegar na alma dos desafortunados sem expressão. Como podia um olhar não ter significado? Como podia um par de olhos ser neutro? Mas aí veio um tropicão e o rosto de um rapaz: ah, que belos olhos! Eram dois olhos de encanto, de brilho. Mas a fração de segundos de um passo desviou os olhares, afastou os corpos, cabeças viraram para a última fitada e ela se deparou com a vitrine de uma loja. Um espanto: o seu próprio reflexo. Alguns minutos se passaram e ela ainda estava lá tentando decifrar o significado de sua expressão... Tanta gente, tantos olhos, tantos sentimentos e ela tinha simplesmente se esquecido que também fazia parte da multidão. Uma multidão de cores e significados intercalados com a sutileza de um piscar. Então ela piscou, sorriu para seu reflexo e partiu.

Ser criança...


Ela não sabia o que escrever. Será que não sabia o que pensar? Mas de pensar que não sabia o que pensar já estava pensando. E de pensar que não sabia o que escrever já teria aí algo para escrever. Sentou-se no chão da varanda e observou a paisagem. Olhou os raios de sol iluminando algumas árvores com folhas tão verdinhas e encantou-se com as cores radiadas de forma tão alegre. Aquele amarelo-dourado que rasgava o céu e atravessava o vão estreito e delicado das folhas das árvores realmente a fazia sentir-se bem. Tão bem que começou a pensar. Não que ela não estivesse pensando em momento algum, mas os novos pensamentos alagaram sua mente, como um rio que transborda após uma chuva de verão. Ela suspirava e seus olhos brilhavam. Brilhavam de contentamento e também pelo reflexo daquele amarelo-dourado do sol. E ela pensava em como ser criança era bom, como gostava de tomar café com sua avó e balançar na rede antes de ir pra praia brincar na areia. Sentia-se leve, pronta para o mundo, dona de uma coragem sem tamanho e livre para ser quem quisesse ser. Era apenas uma criança, sentada tão delicadamente no chão de uma varanda, mas com pensamentos capazes de preencher o vazio da humanidade. A menina pegou seu diário, abraçou-o bem forte e com uma caneta cor-de-rosa passou a escrever:
"Querido diário, quero sempre poder ver o amarelo-dourado do sol passando seus raios pelas folhas verdinhas das árvores. Ser criança é tão bom, quando crescer ainda vou ver o mundo desse jeito? Eu espero que sim."
A menina fechou o diário, abraçou os joelhos e assistiu o movimento das luzes do sol até o fim, até o início da escuridão da noite, quando saiu da varanda, deitou-se e dormiu sorrindo por ter entendido toda a razão da sua vida.
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Claquetando
Luz, câmera, ação!

A era do lixo reciclável


Mais uma discussão da mídia. Dessa vez, tomo como base inspiradora para esse post os vídeos publicitários da concessionária Mearim Motos, do Maranhão. Tive a (des)agradável surpresa de conferir esses vídeos aqui na produtora onde trabalho (por incrível que pareça). No primeiro momento foram muitas risadas, mas depois de um tempo parei pra pensar... E as conclusões não foram das mais otimistas. Antes de inciar as reflexões, peço aos leitores que assistam o vídeo abaixo.

Pensemos a respeito...
Estudante e estagiária de radialismo, 4 anos de curso tendo como matérias fotografia, iluminação, roteiro, história da tv, cinema, rádio, estudo de enquadramentos, planos, linguaguens cinematográficas e blá, blá, blá... Tudo isso pra quê?
Vejam esse vídeo e se inconformem comigo! Quem será que produziu? Será que o indivíduo estudou pra isso? Enquanto nós, radialistas, nos esforçamos para criar produtos de qualidade e com diferencial, outros aparentemente leigos me aparecem com idéias de girico, qualidade técnica terrível e ainda conseguem veicular seus produtos em alguma emissora local e faturar em cima da porcaria!
Como meu chefe diz: "É Jú... Por que você não escolheu um curso normal? Letras, Pedagogia talvez..."
Mais uma vez a mesma idéia do outro post: uma câmera na mão e uma idéia na cabeça - o boom do Cinema Novo e o boom da era digital. Era digital composta por Mearim Motos, vídeo do Créu e da Dança do Quadrado. Estudar pra quê? É tão fácil ganhar dinheiro! Viva a comunicação do Grotesco! Viva a era do lixo midiático reciclável!
Sinceramente, esse papo me cansa, vou assistir Mearim Motos.

Um suspiro e...

Claquetando
Luz, câmera, ação!

*Obs: Posts curtos, rápidos e sem conteúdos aprofundados se devem à falta de tempo e excesso de trabalho. Estou tentando postar diariamente, mas ontem realmente não foi possível, espero que compreendam. Me ajudem com pautas!

E se num mundo de cegos você fosse o único a enxergar?


Em "Intermitências da Morte" José Saramago nos conta como seria a sociedade na ausência da morte. Sim, a morte desaparece do mapa. E em "Ensaio sobre a cegueira"? Nesse, há uma epidemia que se prolifera por uma cidade levando as pessoas à cegueira. Adoro essas idéias do Saramago e adoro mais ainda ver tudo isso na telona. E digo: melhor ainda ver o filme dirigido por Fernando Meirelles. Eu sei que "Ensaio sobre a cegueira" gerou mais críticas e desapontamentos que grandes elogios, mas não importa, defendo nosso diretor. Só a fotografia já me encanta: belíssima, clean, melancólica, tons dessaturados em alguns momentos levando ao branco e também o preto caracterizando a parte mais "cega" da trama. Uau! Créditos à César Charlone, responsável por todo esse visual. Repito: só o visual já vale a pena! Confiram o trailler!

Mais do que nunca:

Claquetando
Luz, câmera, ação!

Uma festa nerd


Um verdadeiro nerd leva ao anfitrião da festa flores, frutas e livros, é diversão na certa!

Um verdadeiro nerd aprecia a beleza feminina, ainda mais quando a moça está arrumada para a festança!


A verdadeira festa nerd: coca-cola, cachorro quente e muita diversão!

Moças nerds se acabam no chocolate!

O verdadeiro nerd fica de sopetão para assaltar a geladeira de coca-cola! Um achado, um paraíso!

Os nerds também gostam de música!

As garotas se esbaldam!

Os garotos não resistem e a dança à dois é um dos momentos altos da verdadeira festa nerd.

O final da festa nerd: apreensão na hora do "Verdade ou Desafio".
Claquetando
Luz, câmera, ação!



Comentando os comentários


Conforme o prometido, cá estou para comentar os comentários dos meus poucos, porém queridos leitores. Obrigada!
Maria Cecília: Má, você me fez realmente pensar em como seria a vida de lego. Eu estava com uma visão utópica do "brincar", da espontaneidade da criança que brinca, vê o amargo como doce. Não tinha pensado na ausência das expressões e movimentos do lego. Não tinha pensado nas pessoas que poderiam nos manipular. Você me fez voltar com os dois pés firmes e fortes para o chão, esqueci da realidade e estava na leveza da brincadeira! Adorei!
Fabiane Sueme: Fá, adoro o incentivo que você me dá, isso me dá forças para sempre tentar postar diariamente, obrigada! Acho que tivemos a mesma visão do impacto que é a vida de lego, tragédias vistas com sorrisos e leveza, algo estranhamente incomum.
Everton: Evertão, você sempre me surpreende! Assim como a Má me fez refletir a respeito. A vida de lego poderia ter sempre um destino traçado, planejado e com resultados pré-estabelecidos, mas qual é a graça disso tudo? Será que na vida de lego teríamos a opção de rasgar o manual e deixar a criatividade nos guiar? Espero que sim... Também gosto de pensar que criamos nossa própria história, sou do lema da força de vontade, persistência, garra e determinação. A soma do nosso potencial e força de vontade nos guia para termos a vida que desejamos.
Pra encerrar, gostaria de deixar aqui um outro comentário... Mas dessa vez não é comentário de comentário, é comentário de um blog que gosto muito, o Blog do Tas. Nessa quarta-feira, 10 de Setembro, nosso carequinha postou a respeito do Media On, um evento internacional de jornalismo online. Nesse seminário, Tas era responsável por provocar Michael Roseblum, sócio de Al Gore na Current TV e produtor de conteúdo para veículos como a BBC, Discovery e Oxygen.
O que me chamou a atenção no texto do âncora do CQC foi a discussão que Roseblum e ele abordaram no evento: a suposta morte das corporações de comunicação. Roseblum afirma o fim das corporações de comunicação, Tas discorda. Esse assunto me dá coceira, afinal, como estudante e estagiária da área de comunicação eu também discordo! Roseblum, sócio do Al Gore, produtor de conteúdo para TV, acredita mesmo no fim das corporações? Mas como? Como comunicólogo ele não deveria nunca ousar soltar essas palavras! Se ele acredita mesmo no fim espero que ele tenha procurado outra profissão, talvez no McDonald´s.
Mas eis que Tas fez comentários que muito gostei:
"Hoje vivemos uma situação paradoxal. Tem gente vendendo a idéia que tudo é de graça. Facinho de fazer. Custo zero, feito pelo usuário. Mas vai perguntar para a audiência se, além dos blogs e do YouTube, ela não gosta de ver Lost, os desenhos da Pixar, o CQC, o Caldeirão do Huck, a cobertura da CNN das eleições, ou mesmo ler o que a Economist vai falar sobre o pré-Sal do Lula?
Yes, Michael, penso que o buraco é mais espalhado do que embaixo. Sim, assistimos uma acelerada democratizacão dos meios de produção e publicação, ok. Mas enquanto isso o telespectador-internauta-leitor se torna cada vez mais exigente. Quer histórias que o surpreendam em meio à avalanche de informação. Isso requer bons contadores de histórias- jornalistas, escritores, roteiristas, atores, repórteres...- e ao mesmo tempo, enquanto todo mundo fala em custo zero para a molecada digital, a ficha técnica de um videogame é mais extensa que os créditos do Star Wars."
A velha idéia de "uma câmera na mão e uma idéia na cabeça" do digníssimo Glauber Rocha já tournou-se um clichê. Idéias todos temos, câmera todos temos, o Youtube, FizTV entre outros inúmeros sites estão aí para veicularmos nossas idéias geniais, mas, e o retorno disso tudo? Não, não é tão fácil assim. E o universo midiático não são só idéias criativas postadas no Youtube, Tas está certo, o telespectador-quer-tudo QUER TUDO mesmo! Ele quer Chaves, Jornal Nacional, CQC e Programa do Ratinho sim! Então pergunto, como as corporações da comunicação irão morrer? Não consigo entender.
Mas eis que nosso amado e charmoso Tas, no post dessa quinta-feira, 11 de Setembro, me mostrou o que gostaria ver: um vídeo da revista Esquire, a primeira a usar tinta eletrônica. É uma janelinha com imagens em movimento na capa da revista!
Agora Roseblum, venha me falar do fim das corporações de comunicação!
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E se a vida fosse de Lego??


A realidade nem sempre alegre...
















A brincadeira, tão sempre leve.

Veja mais aqui!

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